Resumo

Free surfer de alma, que vive apenas para surfar as melhores ondas do planeta. Seu feedback, por conta de sua experiência como shaper, nos traz informações muito importantes. Com diversas trips ao redor do planeta, João Marcelo está sempre testando seu equipamento nas condições mais severas. E nos presenteia com a “vibe” de quem vive dedicado a fazer o que mais ama na vida.

Data de nascimento: 08/02/1986.

Local de Nascimento: Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil.

Onde mora: Indonésia, Tahiti e Brasil.

Entrevista

João, você acredita que meditação ou yoga ajudam no surf? Você pratica?

Comecei a praticar yoga quando tinha aproximadamente uns 12 anos. Como minha mãe é professora, peguei alguns livros por vontade própria e comecei a buscar respostas e tentar meditar também. Por meu foco ser ondas grandes, creio que a meditação ajuda muito a ativar a consciência e no controle emocional. Mentalizar o que você quer e imaginar aquele momento acontecer podem preparar você para muito mais do que imagina. Você terá “vivido” aquilo e sua mente estará mais calma e preparada para aquela situação, pois já fez aquilo, torna-se uma experiência e, então, você acredita que pode. A respiração e as posturas da prática também fazem toda a diferença, pois ao proporcionar mais flexibilidade, corre-se menos riscos com lesões.

Como é a sua relação com o oceano?

Quando estou no oceano, mergulhando, surfando, remando, em um barco, mas, principalmente, embaixo d’água, sinto que estou em outra dimensão, outro mundo e entro em outro estado de espírito, e é lá que eu me sinto saudável forte e em casa. Quando estou longe do mar, me sinto fraco, sem motivação e a maioria das coisas parecem não fazer sentido.

Com qual modelo de prancha você se identifica mais?

Pro Barrel.

Já participou de algum projeto ambiental?

Já plantei muitas árvores e plantas. Tento fazer algumas ações simples, mas que podem contribuir para o planeta: quando vou ao Mercado não uso sacolas plásticas; não uso canudos; sempre pego lixo na praia e descarto em lixeiras; quando surfo, coloco plásticos no bolso; tento conscientizar as pessoas ao meu redor sobre a consciência ambiental. Também já limpei algumas praias com alguns amigos e futuramente pretendo colocar em prática alguns projetos de educação ambiental.

O que é ser Soul Surfer?

Soul Surfer significa fazer aquilo por amor e jamais esperar algo em troca além da satisfação e da realização de objetivos e sonhos. Nunca corri campeonato, pois acho que as competições não têm muito a ver com verdadeira vibe do surf, que é a camaradagem e o contato com a natureza. Estar sozinho ou com alguns amigos em algum secret spot, bem longe das civilizações, é um sonho. Considero o surf espiritual. Creio que tudo que você faz que envolve dinheiro ou salário, muda seu sentimento por aquilo, pois vai virar uma obrigação. Sua liberdade de expressão muda, pois você está amarrado àquilo por outros motivos. Sou meio rebelde e contra a indústria do surf às vezes, pois, cada vez mais, o surf está perdendo a essência. A mídia e o dinheiro estão mudando o esporte e eu não quero fazer parte dessa mudança.

Um tubo e um pôr do sol, descreva sua sensação em dias assim:

Uma benção. Costumo dizer que pegar um tubo é como receber um abraço do oceano. Você fica envolto por aquela energia que se move por milhares de quilômetros em forma de água. Pegar um tubo, para mim, é receber a iluminação! É, definitivamente, a melhor coisa que eu já experimentei na vida.

Você entende sobre seu equipamento e como o seu aprimoramento técnico é feito?

Comecei a fazer pranchas de surf com uns 14 anos e assinei a Surfer ao invés de revistas nacionais, pois, além de aprender a língua inglesa, achava as matérias mais interessantes. Desde pequeno, li muitas reportagens do All Merrick, Tokoro, entre outros. Sempre quis entender o que faz uma prancha funcionar e, por causa disso, estudei o máximo que pude sobre o assunto. Trabalhar agora com o Arenque está me ajudando muito, pois estamos fazendo desde pranchas de tow in a maroleiras.

Deixe uma mensagem para quem pretende adquirir uma Arenque:

Converse com o (Rogerio) Arenque, pois ele é um cara muito cabeça aberta e realmente entende do assunto. Eu sempre fazia minhas próprias pranchas, porém, há dois anos, encontrei o “Grilo” e o Yago na Indonésia e gostei muito da Pro Barrel. Quis fazer uma e o Grilo me disse para falar com o Arenque. Foi assim que começamos a realizar um trabalho bem legal. Com a visualização das pranchas no computador, podemos fazer alterações até chegar ao ideal. Quando chegamos na “mágica”, podemos reproduzi-la; o que “na mão” se torna muito mais difícil. O Arenque tem um conhecimento absurdo no computador, sabe realmente como a prancha vai ficar na hora em que sai da máquina. Isso ajuda muito para qualquer um que queira chegar à prancha mágica.

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