Arenque Surfboards Revista Hardcore #326

Arenque Surfboards
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PREPARADO PARA AS BOMBAS?

 

 

Texto Kevin Damasio

 

Em 20 de março teve início o outono no Hemisfério Sul, e a temporada de ondas estende-se até o último suspiro do inverno, em 22 de setembro. No Brasil, frentes frias e tempestades oceânicas garantem o surf em qualquer estação. E você se manteve no rip, seja na merreca ou nos ocasionais bons swells que pintaram. Mas agora virá o teste. O ano vai começar de verdade nos nossos lineups. E suas pranchas precisam responder à altura.

Consultamos três grandes shapers brasileiros para auxiliar na missão de montar um quiver ideal para a temporada. José “Kareca”, da Shine Surfboards, quatro décadas no ofício e autor de pranchas de expoentes como Victor Bernardo e Deivid Silva. Rogério Arenque, parceiro do AprimoreSurf de Leandro “Grilo”, e cujas pranchas acompanham o elevar do nível imposto por Yago Dora. Alexandre Snapy, que trabalha com surfistas que vão do power surf de Willian Cardoso à radicalidade de Petterson Thomaz.

Para uma temporada de ondas fortes no Brasil, o que você acredita que seja essencial na prancha de um surfista cotidiano?

Kareca:Como no inverno dá mais onda, mudamos a prancha do dia a dia do surfista por uma um pouco maior. Além disso, fazemos uma semigun para ficar à espera dos swells grandes. O Deivid Silva é leve e menor, então se deu bem com o quiver que fiz para ondas mais volumosas, com 6’3’’, 6’4’’ e 6’6’’.

Arenque: Boa remada é fundamental em ondas maiores. Nas mais cavadas, é necessário uma rabeta mais estreita para agregar controle. Já em ondas mais volumosas, cheias, essa área fica ligeiramente mais generosa, dando sustentação e tornando a prancha mais manobrável.

Snapy: Tem que ser uma prancha de tamanho médio e boa remada para dar segurança. De preferência com rabeta round.

Para uma onda tubular, que características busca priorizar na prancha?

Kareca: Para o Victor Bernardo, a 6’1’’, com 18,88 de largura e 2,5 de flutuação, funcionou legal em Teahupo’o e Pipeline. Em Maresias forte, a prancha encaixa bem para quem surfa com habilidade e high performance. O surfista comum pode manter a flutuação e botar duas polegadas a mais, para dar mais segurança.

Arenque: Velocidade e controle. Mais volume do meio para frente, para antecipar a entrada nas ondas. Rabeta com pouca área, geralmente round pin, muito segura no trilho e nas cavadas. Quadriquilhas são uma ótima opção para gerar essas características.

Snapy: Para ondas tubulares gosto do meu modelo V6, uma prancha estritamente segura nos tubos e muito veloz. Tem um full concave profundo entre as quilhas e uma saída de V-bottom. Mais massa para frente, com rabeta mais estreita e sempre round pin. É a prancha que Diego Santos tem usado em Off-The-Wall.

 

 

Da esquerda para a direita: The Vibe 5’9″ (shinesurfboards.com); New Dora (arenque.com.br) e The V2 (snapysurfboards.com). Foto: Reprodução / Hardcore

E para o surfista que procura explorar mais o power surf?

Kareca: Surfista mais progressivo que quer uma prancha hábil, segura, usa de 5’10’’ a 5’11’’, em um mar de 6 pés. Quando o mar sobe, aumentamos um litro no volume, como fazemos no modelo The Vibe, do Victor Bernardo. Ele testou uma 5’9’’ na Califórnia e andou bem. Já em um mar forte de 4 pés no Guarujá, ele – que pesa 64 kg e tem 1,73 metro – se deu bem com uma 5’10’’ round pin, full concave com double concave.

Arenque: As manobras de borda são as mais associadas à esse tipo de surf. Nesse caso, é importante que o volume e o formato das bordas sejam precisos, oferecendo a sustentação necessária para neutralizar a perda de velocidade natural que se tem ao cravar a prancha na água.

Snapy: Aí podem variar bastante os modelos. Mas acredito que sempre que um surfista surfa com muita força é legal que a prancha tenha um pouco mais de volume.

No caso do aéreo, quais são as peculiaridades de uma prancha para funcionar bem em mares bons, e não na marola?

Arenque: Para o aéreo, a prancha deve desenvolver velocidade com facilidade e ter uma boa distribuição de volume para ajudar nas aterrissagens. Considerando que os mares bons são mais cavados e com pressão, rocker mais acentuado e menos área total ajudam a prancha a se encaixar na onda. As maroleiras são pranchas com mais área e espessura em direção às extremidades. 

Snapy: Acredito que seja a prancha do dia a dia do surfista. Não precisa ter muita curva e nem ser muito estreita no bico, para facilitar as aterrissagens.

Se o cara for um surfista overall, completo, mesmo que amador, é possível fazer uma prancha que renda bem tanto para power como tubo e aéreo? Como?

Kareca: Não acredito numa prancha para tudo. O cara pode até entrar numa zona de conforto, pegar algumas, mas vai olhar para os outros se divertindo e ficar numa corda bamba. Você vai pegar algumas, mas não vai se divertir tanto quanto o resto. Hoje existe um leque de modelos tão grande, então o ideal é ter algumas pranchas para se adaptar em mares que costumam mudar de meia em meia hora.

Arenque: Hoje em dia, as pranchas de performance visam sempre a fusão dessas características. Na maioria das vezes, a mesma onda oferece oportunidade para se realizar mais de um tipo de manobra. A questão é equilibrar essas características em cada modelo, de acordo com cada surfista, para maximizar os resultados.

Snapy: O bom é ter no mínimo umas três pranchas para estar preparado para todas as condições. Mas, se ele só puder ter uma prancha, acredito que teria que optar por uma mais convencional em termos de curva e fundo, fazer multifins para poder ter mais opções de quilhas. Nada muito específico, para ter a chance de ter um prancha que funcione bem em todas condições. E se ela for boa em todas essas condições, então significa que está com a prancha mágica. HC

Yago Dora X Tahiti – Arenque Surfboards Model New Dora

Foto: Leandro Dora ( Aprimore Surf )

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